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Por Marcos Paulo Bin
19/12/2004
19/12/2004
Na extensa lista de músicos que gravaram com Beth Carvalho em seu mais recente trabalho, A Madrinha do Samba – Ao Vivo Convida, estão Carlinhos 7 Cordas (violão de 7 cordas), Fred Camacho (banjo) e Marcelinho Moreira (repique de mão). Outro fator liga esses instrumentistas, além do fato de tocarem com a Madrinha. Eles formam o Toque de Prima, um dos melhores grupos de samba do momento, ao lado ainda de Ari Bispo (voz), Dininho (baixo), Ovídio Brito (percussão e voz) e Wanderson Martins (cavaquinho, banjo e violão).
O Toque de Prima foi criado em 1995, por Ovídio, reunindo músicos que trabalham em estúdio ou tocam com os grandes bambas da música brasileira, como Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Paulinho da Viola e, é claro, Beth Carvalho. Muito requisitados para gravações ou turnês, são figurinhas fáceis nos encartes de vários discos há mais de 20 anos.
O grupo está lançando seu 3° CD, Daqui, Dali E de Lá (Fina Flor / Rob Digital), produzido por Rildo Hora. No disco, o Toque de Prima reafirma sua proposta, já explícita nos trabalhos anteriores, e que merece ser louvada: ao mesmo em que reverenciam os mestres, eles apresentam novidades, não se prendendo a antigos sucessos ou ao estigma do “samba de raiz”.
Como diz o título de uma das músicas do disco, composta por Dudu Nobre e Luizinho SP, o Toque de Prima é Partideiro Chapa Quente. É samba legítimo, da melhor qualidade, feito nos 2000, com influência de outros ritmos tipicamente brasileiros como o calango e o choro, mas sem perder a cara daquilo que de melhor se produziu no partido-alto dos anos 70 e 80. Daí a comparação inevitável com os artistas surgidos a partir do Cacique de Ramos – que nessas duas décadas teve o mérito exatamente de lançar novos talentos e novas músicas – como Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Luiz Carlos da Vila e outros.
Reverência aos mestres
A intenção do Toque de Prima, em seu 3° CD, parece ser realmente reverenciar esses grandes nomes do samba, não só dos anos 80, mas também de antes e depois. De Zeca Pagodinho, eles gravam a hilária Chiclete de Hortelã, que já havia sido registrada por Mussum, ex-Originais do Samba. Do Trio Calafrio – Luiz Grande, Barbeirinho e Marcos Diniz – o grupo traz a carioquíssima Suburbano Feliz. Arlindo Cruz aparece com Já É Ou Já Era (parceria com Acyr Marques e Maurição), enquanto seu ex-parceiro de dupla Sombrinha empresta Pra Parar de Chover (com Franco). O Toque de Prima, inclusive, utiliza muito uma tradição lançada pelos dois, quando atuavam juntos: as conversas no meio das músicas. Algo que extrapolou o mundo do samba tradicional e chegou ao neopagodeiros românticos e a grupos de axé como o É O Tchan.
O disco ainda tem canções de Paulinho da Viola (Ciúme da Cidinha), Martinho da Vila (Eu Conheço Aquela Moça, com Roque Ferreira), Luiz Carlos da Vila (Cabô Meu Pai, com Moacyr Luz e Aldir Blanc), Dona Ivone Lara (Esbanjando Alegria, com Bruno de Castro) e Serginho Meriti (O Daqui, O Dali E O de Lá, com Bira da Vila), autor do mega-hit Deixa A Vida Me Levar, gravado por Zeca Pagodinho. E tem também Ensinamento, linda canção de Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro, que o primeiro gravou em seu 2° e recente disco, Brasão de Orfeu, e não é citada na contra-capa.
Voltando ao partideiro de Xerém (hoje morador da Barra), o Toque de Prima mostra-se muito modesto ao dizer, em outro trecho de Partideiro Chapa Quente: “Meu compadre Pagodinho é difícil de encarar”. Com um time de compositores como este, um instrumental de primeira qualidade e uma interpretação magistral, o Toque de Prima é, no momento, o nome mais criativo da nova geração do samba. Para defini-lo, é melhor usar os versos da música de onde foi tirado o nome do disco: “Nosso tempero tem samba, tem xote, tem frevo / Embolada, balada, ijexá / É só botar pra tocar / Que o povo vai curtir, a galera vai gostar / (...) Toca aí que a gente diz no pé”.

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